1 month ago on 28 April 2013 @ 8:46pm

Um peso na vida dos outros

Para quem não sabe, a minha mãe me teve aos 17 anos. Ia fazer 18. Fazendo as contas aqui, ela foi uma daquelas garotas burras que, no dia dos namorados, decidiu que estava na hora de transar e que ter 16 anos já era ser “grandinha” pra saber o que é bom ou não pra ela. Quando eu conto isso para as pessoas, costumo fingir que não ligo muito, que está tudo bem e que esse fato não afetou muito a minha vida. A verdade é que me afeta tanto que eu não consigo falar sobre isso sem chorar.

O fato de a minha mãe ter me tido nova não tem mais muita diferença agora. Eu já tenho 20 anos de idade, ela evoluiu social, profissionalmente e como pessoa também, então tecnicamente, tudo terminou bem. O problema é que os distúrbios psicológicos que eu criei quando era pequena não se curaram tão bem quanto o resto das coisas que a gente viveu, porque a gente nunca passou por algo traumático financeira ou socialmente. A gente sempre teve como pagar as contas, minha mãe sempre me colocou nas melhores escolas de São Paulo e eu sempre fui superprotegida.

Mas o medo de verdade, o que eu mais pensava, era o seguinte: não gosto de dar trabalho. Certa vez li uma matéria que saiu no jornal sobre mães que foram teenage moms na década 1990, e a minha mãe estava na capa da matéria (juro, eu quase chorei quando li aquilo). Na reportagem, ela dizia que deixou de fazer tudo o que ela pretendia na vida dela só pra poder cuidar de mim. Isso me abalou de uma maneira sem igual.

O que eu mais gosto na vida é poder dizer que eu estou correndo atrás dos meus sonhos, mas eu fui responsável por impedir a minha mãe de correr atrás dos sonhos dela. Agora que eu já cresci ela já realizou alguns deles, mas ela perdeu o tempo e a juventude que ela tinha. Por minha causa.

Então eu tenho dois medos que originam todos os outros que assombram a minha vida atualmente: o primeiro eu não vou contar, não é hora para isso, mas o segundo é o medo de ser um peso na vida dos outros. Então eu evito gastar dinheiro, odeio o fato de a minha mãe pagar a minha faculdade, odeio quando minha avó me dá presentes a toa, odeio ganhar presentes a toa (porque sei que a pessoa está gastando dinheiro por minha causa e ela não deveria), odeio quando eu fico doente e as pessoas gastam dinheiro comprando remédios e me levando em médicos que o convênio não cobre. Odeio ser um peso na vida dos outros.

Por isso eu odeio ficar doente. Porque as pessoas deixam de sair e se divertir para cuidar de mim, que fico doente o tempo inteiro. Por isso eu odeio quando as pessoas tentam me convencer a não dividir a conta, ou a me dar um presente sem ser um momento especial. Eu odeio ser um peso. Eu gosto de ser invisível. Independente. Não só financeiramente. Eu gosto de imaginar que ninguém precisa parar a vida deles por alguém como eu.

É insuportável para mim ouvir a minha mãe me perguntando sobre o meu médico e quanto ela vai ter que depositar para ele, ou quanto ela vai gastar em remédios para mim. É insuportável ver o boleto bancário da faculdade chegando em casa e eu tirar um sete numa prova que a minha mãe pode eventualmente encontrar no meu quarto. É insuportável ficar doente e ver todo mundo para o que eles estiverem fazendo para cuidar de mim.

Só de pensar no quanto eu interfiro na vida das pessoas e fico impedindo elas de terem uma vida melhor, eu já começo a chorar (como estou agora). Eu sei que no fim das contas tudo ficou bem e a minha mãe acabou fazendo o que ela queria, mas ela perdeu tempo da vida dela que ela nunca mais vai recuperar por minha causa, e eu não quero que isso aconteça com as outras pessoas. EU não quero que as pessoas parem de viver algo que nunca mais vai voltar com alguém que nunca vai se curar. Que sempre vai ter rinite, dor de cabeça, ser desastrada e por causa disso sempre tropeçar, se machucar como se fosse uma boneca de porcelana. Eu não quero isso.

Eu prefiro que me deixem no museu e vão viver a vida.

1 month ago on 23 April 2013 @ 9:06pm + 2 notes

Estou te esperando, mas não demora

Se fosse por qualquer outra pessoa, eu não estaria aqui. Se não fosse por ele  estar chegando naquele ônibus, eu provavelmente estaria dormindo em casa, sonhando. Exausta. Porém, trocaria o sonho mais doce e mais cativante – daqueles que o despertador toca e você tenta a todo custo continuar nele – só pela oportunidade de vê-lo de novo. De vê-lo sorrindo ao descer na rodoviária e ver uma morena tímida esperando de pé, com os braços cruzados para se proteger do frio de São Paulo.

Olhei o relógio: 5h40. “Talvez o ônibus tenha chegado mais cedo”, pensei esperançosa. Respirei fundo e rolei os olhos para o lado, procurando-o entre os poucos rostos que demonstravam cansaço e passavam pela rodoviária. Não demorou muito até que eu desistisse, sentasse em uma lanchonete e esfregasse os olhos com o dorso da mão para afastar o sono. Olhei ao meu redor mais uma vez e vi um garotinho andando apressado com uma mãe tranquila.

Ele carregava uma mochila com algum desenho animado qualquer e parecia feliz. Não devia ter mais do que seis anos de idade, com seu cabelo curto e liso e sua pele bronzeada nauralmente. Praticamente saltitava, enquanto a mãe levava uma mala de rodinhas e outra maior de mão. Pararam no meio do corredor e ela tirou um celular do bolso.

“Mãe, será que ele vai gostar de me conhecer?”, ele perguntou entusiasmado. “Será que ele vai gostar de mim?”, acrescentou iludido. A mãe ignorou as perguntas do filho e continuou esperando que alguém atendesse a ligação. Desviei o olhar para que não percebessem meu interesse, mas continuei prestando atenção no garotinho e sua mãe, que continuou tentando ligar mais algumas vezes para um telefone que ninguém atendia, até que desistiu.

“Vem”, ela disse. “Vamos até casa a dele, está muito cedo. Ele deve estar dormindo”.

Imaginei se a mulher havia avisado que estava indo visitar o dono das ligações não atendidas. Imaginei se ele era pai, tio ou primo do garoto radiante. Minha mente pessimista e treinada para uma ver o drama nas coisas criou um cenário no qual o homem estava casado e a mulher chegava com o filho bastardo para estragar o relacionamento. Só faltava uma música de suspense e os nomes dos atores subindo pela tela da televisão para se tornar o final de um episódio da novela.

Ri sozinha e de mim mesma por ter pensado naquilo e comprei um café para me esquentar, imaginando na facilidade que o meu viajante esperado ia ter de se adaptar ao clima daqui durante esse fim de semana. Nós dois gostávamos de frio, de rock supervalorizado, de chocolate quente e de videogame. Isso devia ter sido suficiente para fazê-lo ficar aqui comigo, mas nem tudo funciona de uma maneira tão simples assim.

Por isso eu estava o esperando na rodoviária. Por isso eu estava tomando um café para me esquentar às seis horas da manhã em plena sexta-feira. Porque eu queria ter certeza que aquilo tudo o que eu senti quando ele estava aqui ainda era tão intenso quando parecia.

“Oi”, ouvi uma voz que meu coração já estava acostumado. E sim, meu sentimento estava tão intenso quanto parecia.

2 months ago on 7 April 2013 @ 2:16pm + 2 notes

Long handwritten note, deep in your pocket. Words, how little they mean, when you’re a little too late. I stood right by the tracks, your face in a locket. Good girls, hopeful they’ll be and long they will wait. We had a beautiful magic love there. What a sad beautiful tragic love affair. In dreams, I meet you in warm conversation, we both wake in lonely beds, different cities and time is taking it’s sweet time erasing you, and you’ve got your demons and darling they all look like me. Cause we had a beautiful magic love there. What a sad beautiful tragic love affair. Distance, timing, breakdown, fighting, silence, the train runs off its tracks. Kiss me, try to fix it,could you just try to listen? Hang up, give up,and for the life of us we can’t get back.

3 months ago on 21 March 2013 @ 12:46pm

O meu momento “Cidade de Deus”

Eu sempre gostei de andar de ônibus. As pessoas costumam me criticar e perguntar como eu consigo, mas desde pequena eu gosto de ver as pessoas de classes sociais diferentes, às vezes me interesso tanto pela postura que ela tem que eu presto atenção em que ponto ela desce. Hoje, inclusive, foi um desses dias.

Voltava para casa, como sempre, quando o ônibus parou em um ponto que fica praticamente do lado de uma escola estadual. Olhei para as pessoas que estavam ali e vi crianças-adultos. Foi impressionante: várias com fones de ouvido, uniforme do colégio e jeito de adolescente (sendo que quase não haviam crianças com mais de 15 anos ali). Até a maneira como elas conversavam, as gírias, os palavrões e teve uma inclusive que mostrou o dedo do meio para um garoto que subiu no ônibus em que eu estava.

Cerca de oito crianças entraram junto com ele. Garotos, sendo que o mais velho tinha, no máximo, treze anos, e eles começaram a “tocar o terror” nas pessoas. Esse mais velho começou com um velhinho que estava atrás de mim, pedindo o dinheiro dele, dizendo que o velhinho iria pagar sorvetes de casquinha para todos eles. Pediu a carteira, pediu tudo, e o velhinho calado simplesmente levantou e desceu no ponto seguinte.

Eles fizeram a mesma coisa com umas quatro pessoas, até que metade da população ali dentro decidiu descer. Eu fui uma das pessoas que considerou descer, mas olhou para a parte da cidade em que estávamos e desistiu, porque se eu descesse seria igualmente perigoso. E foi aí que eles começaram a mexer comigo.

Se você nunca me viu, imagine uma garota de 1.59m de altura, introvertida, muitas vezes distraída, que usa óculos, com fones de ouvido, camisa xadrez e all star. Só faltava uma plaquinha escrito “ISCA” na minha testa.

“Tá vendo o mp3 do meu amigo? A gente que pegou para ele”, disse um.

“Ô linda, você não vai passar o dinheiro para a gente, não?”, disse o próximo.

“Ela não tá escutando, gente, tá ouvindo música… A gente devia mostrar a faca para ver se ela presta atenção”.

Nesse momento, o ônibus parou em um ponto e um rapaz que devia ter mais ou menos a minha idade entrou no ônibus. Se na minha testa estava escrito “isca”, na dele estava escrito “salva-vidas”: ele devia ter por volta de 1.75m de altura, era forte e usava uma camiseta de faculdade de educação física. Eu olhei para ele e ele sentou bem ao meu lado. E os meninos recuaram e foram mexer com outra pessoa.

Não sabia se eu ria, chorava ou abraçava o cara e pedia para ele nunca mais ir embora. Depois daquilo, os garotos desceram e a única coisa que eu consegui lembrar foi do filme Cidade de Deus: das crianças abandonadas da favela que entravam no tráfico, usavam armas, roubavam por diversão. Crianças sem auxílio de uma parcela esquecida da sociedade brasileira. Crianças com pais provavelmente ausentes, sozinhas e sem a educação que deveriam receber. Fiquei com raiva do Estado pelas crianças esquecidas.

A minha cabeça de garota de classe média mimada e proibida de andar de ônibus até a maioridade me cegaram de tal maneira que, ao ver o filme Cidade de Deus, eu vi uma realidade distante. Mas ao ver aqueles meninos do filme versão quinta-feira a tarde na minha realidade, abri um pouco mais os meus olhos.

(Sim, eu ainda gosto de andar de ônibus)

3 months ago on 7 March 2013 @ 2:18pm + 1 note

SÓ POR UMA NOITE

http://www.youtube.com/watch?v=oXBWG4owmvE

Gosto de pensar que você e eu daríamos certo. Gosto de pensar que, um dia, você ia surgir na porta da minha casa e me convencer a perder meu tempo com você, porque “todo mundo vai morrer mesmo, então o melhor que a gente pode fazer agora é cair de cabeça nos relacionamentos e foda-se se for pra se machucar”, como um amigo disse em uma daquelas conversas de bar. E eu até tentei não controlar muito a situação e me deixar levar por aquela vida irresponsável, até que ela saiu tanto do controle que não adianta mais tentar se enganar.

Não adianta mais fingir que eu não me importo, não adianta mais fingir que é só brincadeira. Eu já gosto de você. Só de ouvir a sua voz eu já me sinto bem, e por mais que eu fique chateada por você não sentir o mesmo (ou é o que eu acho, pelo menos, porque não é possível que alguém no mundo consiga me amar por quem eu sou), tudo bem. “A gente se diverte com o que tem”.

Você está aí e eu estou aqui, e isso me machuca. A minha vontade é de sair de casa, viajar, beber, beber e beber e acordar na casa de algum amigo meu, provavelmente semi nua, sabendo que eu não fiz absolutamente nada, e que foi para tentar te esquecer, nem que fosse só por uma noite. A minha vontade é de procurar um pouco de você nas outras pessoas e tentar - em vão - gostar mais delas, porque elas iam estar mais perto. A minha vontade era de me afastar de você até te esquecer, mas você me conhece, eu não faço nada certo.

Gosto de pensar que você e eu daríamos certo. Que a gente andaria de mãos dadas na praia e tudo ia parecer um comercial de margarina. O problema é que imaginar não é suficiente, e a realidade é ruim demais para ser verdade.

3 months ago on 7 March 2013 @ 11:32am + 1 note

A intensidade dos meus sentimentos me torna autodestrutiva.

3 months ago on 26 February 2013 @ 2:33pm

Um compromisso comigo

O sonho de fazer Jornalismo esteve muito presente em dois lados da minha vida: o do sangue, no qual estava o meu avô que foi jornalista, e o da paixão, que foi aos seis anos de idade, quando eu descobri que gostava de escrever e contar histórias. Obviamente, quando a professora perguntava aos alunos o que eles queriam ser quando crescessem, eu era a única que respondia que queria ser escritora. A memória que eu tenho de ter dito que eu queria ser jornalista foi aos doze anos.

Aos dezoito anos, mudei-me para Paris. Consegui entrar em um Curso de Francês e Civilização na Sorbonne e já estava decidida que iria fazer faculdade de Psicologia por lá mesmo, porque as notícias de que não precisava mais fazer Jornalismo para atuar na área já haviam chegado, o que assustou a minha família. Meu futuro estava preparado, mesmo com o fato de eu não conseguir me imaginar como uma psicóloga para o resto da vida.

Um dia decidi assistir a uma palestra de psicologia na universidade e saí de lá tendo a certeza absoluta de que eu não queria passar o resto da minha vida ouvindo os problemas, as angústias e as decepções alheias. Eu queria fazer Jornalismo e todo mundo sabia disso. E foi aí que eu voltei, estudei e me comprometi a entrar na faculdade de Jornalismo.

É possível afirmar que o maior motivo de eu ter decidido fazer Jornalismo foi o compromisso. Não só o compromisso com a verdade e com a defesa de uma opinião diferente das demais, que são provavelmente as coisas que eu mais admiro nessa profissão. Existe também o compromisso com o meu sonho e com a minha paixão, que começou com uma aspirante a escritora de seis anos e terminou com um nome na lista e um futuro profissional pela frente.

4 months ago on 2 February 2013 @ 1:19am + 2 notes

Quando um cara que dava em cima de você volta a falar com você do nada

Ele: Coloquei um piercing no mamilo. (sim, ele começou a conversa assim)

Eu: Legal (?)

Ele: Fico feliz pelo legal, achei que voce ia me chamar de cafona e etc.

Eu: Eu nao acho realmente legal, só to me perguntando porque voce veio me contar uma coisa dessas .-.

Ele: Eu sempre te contei as coisas.

Eu: Mas a gente não tem mais a mesma intimidade de antes, né

Ele: Sinto falta dela.

Eu: Não é algo que se recupera assim.

Ele: De fato que não, mas existe a opção de reconstruir.

Eu: Só é uma opção quando as duas pessoas querem.

Ele: Você quer?

Eu: Não (:

6 months ago on 12 December 2012 @ 11:32am

Por um mundo sem amigos inconvenientes, desnecessários e ofensivos

Eis o que eu penso sobre amigos babacas de namorados que eu já tive: anos vão passar e eu vou continuar achando que eles são babacas. E eu não digo isso baseado no meu rancor sem fim, mas digo baseado no fato que eu já fiz isso e achei que nunca fosse fazer. Quando entrei no cursinho, vi o amigo mais babaca da face da Terra de um ex namorado meu. Até hoje (sendo que eu e o cara terminamos em 2009), quando ele passa por mim eu faço questão de xingá-lo em pensamentos.

Dito isso, as pessoas deveriam se preocupar mais com a própria vida do que com a minha. Eu sei que, em partes, isso é algo relativamente rude. Mas para vocês entenderem melhor, deixe-me colocar o motivo do meu ódio eterno aqui:

http://tinypic.com/r/2465jkh/6

image

Entenderam agora? Eu realmente não me importo que os amigos do meu namorado (ex é quando termina, e a gente não terminou) não gostem de mim. Na verdade, eu não dou a mínima. Mas vai, vamos admitir que isso o que eles fizeram foi, no mínimo, falta de respeito comigo. Primeiro porque eles colocaram em uma rede social na qual a família do meu namorado INTEIRA pode ver. Segundo porque, mesmo que as minhas amigas digam as mesmas coisas de vez em quando, nenhuma é inconveniente a ponto de fazer em um lugar que ele possa ver, até porque elas sabem que elas podem ter a opinião que elas quiserem, mas isso continua não sendo um problema delas e que eu só vou ouvir a opinião delas quando eu quiser, não importa o quão desnecessárias sejam suas atitudes e discussões.

Eu não vou mentir: fiquei muito chateada. Principalmente porque eles colocaram isso no Facebook do meu namorado sendo que um deles nunca falou comigo na vida. Sério, um deles só sabe o meu nome. Nunca parou para conversar comigo, não sabe a minha história com o meu namorado e, mesmo assim, se acha o Sr. Excelência Poder Supremo de Todos os Relacionamentos pra vir dizer se o meu namorado deveria ou não continuar namorando comigo. (Só pra constar: a gente deu um tempo e eles disseram que a gente tinha terminado, por isso os queridos me chamaram de “ex”).

Agora, se eu soubesse que a minha amiga namora um cara que vive magoando ela e que eles deram um tempo, eu não ia chegar pra ela no Facebook e dizer “SCUTA, VOUTA CU ELI N PQ EH TIPO CARRU UZADO, VEM CUMEMO POBREMA, SOH KI + RODADU”.

Sério. Na boa, isso foi muito deselegante. Não se diz esse tipo de coisa sobre alguém que você não tem intimidade suficiente. Seria muito mais educado (e teria muito mais efeito) se o cara tivesse conversado com o meu namorado com maturidade e tivesse tentado (ou conseguido) mostrar para ele que não é a melhor das ideias ele e eu juntos.

Vai entender o que passa pela cabeça de caras com 20 anos e mentalidade de 14. Tudo o que eu digo sobre tudo isso (depois desse texto totalmente hater, né) é que essa é a última vez que eu gasto tempo e energia para me importar com esse tipo de pessoa. A única coisa que eu consigo pensar é que, se um dia eu tiver um outro namorado, espero que ele não tenha amigos. Ou, pelo menos, que não tenha amigos babacas.

6 months ago on 25 November 2012 @ 5:38pm

Por um dia sem tentativas de sequestro, moradores de rua e prédio sem luz

Aparentemente, nenhum dia importante na minha vida pode não ser desastroso. Estava eu, me preparando psicologicamente ouvindo música no meu quarto antes de ir para a prova da Fuvest. Pleno domingo de manhã, pensando que se eu ficasse calma tudo ia dar certo. Doce ilusão.

Ouvi vários gritos de desespero vindo de uma mesma pessoa na rua, e logo após ouvi um carro correndo muito rápido. Eu, com toda a minha delicadeza de quem está prestes a fazer prova gritei: “Mãe, quem é essa mula que está gritando?”. E foi aí que a minha mãe foi até a rua ver o que estava acontecendo e viu a vizinha, que eu por acaso conheço desde que eu nasci e foi muito importante pra mim, aos prantos com o pescoço todo machucado. E aí ela contou que tinha acabado de sofrer uma tentativa de sequestro. E imaginem a minha cara de “… Você só pode estar brincando. Tipo, tudo bem que eles não conseguiram, mas não podiam ter tentado amanhã, que aí eu já tinha feito a prova?” - Sim, o vestibular te torna um ser frio e sem compaixão.

Podia ter sido só isso. Eu teria ficado bem abalada com o acontecido, mas aos poucos eu teria me recuperado, afinal, a prova começava as 13h e eram só 11h40. Mas a minha vida tem um jeito muito estranho de funcionar - lê-se: tem essa vontade constante de estragar meu dia - e não podia acabar tudo naquele momento. Desci do carro e fiquei esperando na fila até o portão abrir (o que eu achava que seria as 12h e acabou abrindo as 12h30, vou matar todos os desgraçados que me deixaram esperando).

Um morador de rua que estava por lá decidiu brincar com os vestibulandos - lê-se: dar em cima das meninas da fila, incluindo eu. O moço anda de um lado até o outro enchendo paciência alheia, até que ele para na frente da menina que estava ao meu lado e começa a beijar a mão dela. Juro. Ele segurou a mão dela e começou a beijá-la, e eu só me perguntando como a menina ainda não tinha soltado um grito de terror. E foi só eu pensar nisso que o cara olhou pra mim e veio na minha direção e começou a falar comigo.

Desde pequena, eu aprendi que não se deve tratar ninguém mal (especialmente pessoas que pedem dinheiro, porque mamãe sempre disse que é quando a gente trata pessoas mais pobres mal, que elas se revoltam e saem brincando de Massacre de Columbine). Então quando ele começou a falar comigo, eu fui educada - ainda que deixasse claro que eu estivesse o ignorando mortalmente -, sempre olhando para ver se os portões já haviam sido abertos para eu fugir dele. E foi aí que o LINDO QUERIDO AMOR segurou a minha mão.

Sabe quando você tem um cachorro que não toma banho há muito tempo e ele lambe a sua mão? Foi mais ou menos assim que eu me senti. E juro, aquele momento passou em câmera lenta diante dos meus olhos: após pegar a minha mão, ele foi lentamente aproximando a minha mão até a boca (sem muitos dentes, para deixar a situação ainda mais grotesca) dele. Sim, ele ia beijar a minha mão como ele fez com a menina do lado. Mas, ao contrário dela, eu puxei a mão o mais rápido que pude e fiquei querendo arrancar a minha mão fora com um machado.

Para vocês terem uma ideia, perdi muito tempo da minha prova porque fui lavar a mão 3 vezes durante a prova (sendo que lavei mais duas antes da prova, assim que entrei no prédio) e o cheiro daquele morador de rua não saia da minha mão. Não sei se eu criei um novo transtorno obsessivo compulsivo, mas assim que eu cheguei em casa - antes mesmo antes de cumprimentar a minha avó -, passei álcool na mão, lavei a mesma e fui direto para o banho. Isso só para mostrar o nojo que eu estava.

E claro, como se já não bastasse um morador de rua tarado e uma vizinha quase sequestrada, a energia do prédio onde eu fazia prova acabou (por uns bons 15 segundos, mas foi o suficiente para me desconcentrar, e todo mundo sabe que eu tenho sérios problemas para me concentrar). Claro, isso nem se compara às outras duas coisas, mas depois de hoje, eu cheguei à duas conclusões:

1) Ou a minha vida me odeia, ou ela escreve em linhas mais tortas do que Deus.

2) Nem meu cachorro me lambendo no nariz para me acordar consegue fazer eu me sentir mais suja do que alguém que cheira mal segurando a minha mão.